quinta-feira, 30 de junho de 2011

Talentos Acadêmicos

“As crianças e jovens portadores de talentos acadêmicos geralmente apresentam precocidade no desenvolvimento verbal e no desenvolvimento do pensamento lógico. Além disso, freqüentemente aprendem com pouca ajuda ou estímulo de um adulto e de modo diferente do usual. Apresentam grande curiosidade e preferência por novidades, excelente capacidade de memorização, persistência e concentração nas tarefas, interesses obsessivos e altos níveis de energia.

Talentos acadêmicos geralmente aprendem a ler antes da idade em que são apresentados formalmente à leitura nas escolas. Isto pode acontecer aos 3 ou 4 anos, mas em alguns casos essas crianças aprendem a ler aos 2 anos de idade, quase ao mesmo tempo em que aprendem a falar. A precocidade lógica não tem sido documentada tão freqüentemente, porém há casos de crianças que aos 3 anos eram capazes de dizer quanto custaria a compra dos itens colocados por sua mãe num carrinho de supermercado, ou a diferença entre a idade dos membros de sua família. Porém uma característica bastante freqüente dessas crianças é a busca constante de explicações lógicas para tudo o que ocorre ao seu redor, muitas vezes levando seus cuidadores à exasperação.

Crianças portadoras de talentos acadêmicos demonstram, desde muito cedo, sua capacidade de aprender com pouca ou nenhuma ajuda de um adulto. Isto não só é responsável pela demonstrada precocidade na leitura, mas também por outras aprendizagens, tais como o funcionamento de determinadas máquinas ou equipamentos ao seu redor, a identificação das cores antes dos 2 anos, o uso do computador, etc. A forma com que aprendem é certamente muito diferente daquela empregada por crianças ditas normais, uma vez que ‘queimam’ etapas e seguem caminhos diferentes, por meio da transferência de conhecimentos. Desde muito cedo os portadores de talentos acadêmicos demonstram uma curiosidade imensa, que os leva a buscar o conhecimento sobre assuntos tão variados quanto as bandeiras de todos os países do mundo, os dinossauros, os astros, o funcionamento de equipamentos, os insetos, ou outro qualquer. Essa curiosidade se traduz por interesses obsessivos que geralmente duram até que se esgote a sede por aquele conhecimento específico. Logo buscam outro assunto, que também toma a forma de interesse obsessivo. Por terem excelente memória, fazem associações, extremamente pertinentes e por vezes originais, de idéias e de assuntos. Quando se ocupam com tarefas de seu interesse, os talentos acadêmicos demonstram persistência e concentração, podendo abstrair-se de atividades que ocorrem ao seu redor. Além disso, têm muita dificuldade de abandonar tarefas incompletas, sendo capazes de estender sua dedicação para além de limites razoáveis.

Finalmente, a energia despendida por alguns talentos acadêmicos é imensa. Esta energia tanto pode ser canalizada para atividades e tarefas construtivas quanto pode se manifestar como hiperatividade e/ou desinteresse, quando suas necessidades educativas não são devidamente atendidas. Crianças e jovens portadores de talentos acadêmicos podem tornar-se adultos eminentes, embora não haja garantias de que isto ocorra. Porém é certo que, para que se tornem adultos produtivos, são necessárias adaptações nas ofertas educativas e culturais feitas a eles; apenas isso permitirá que desenvolvam seus potenciais até os limites realizáveis.”

Anônimo 

[PDF]
 

Talentos Acadêmicos

www.aspat.kit.net/acerta.pdf

INTELIGÊNCIA Versus CRIATIVIDADE

Com sua metodologia verbal e numérica as escolas até agora não estão equipadas ideologicamente para processar informações nas características do hemisfério direito. Embora os educadores se mostrem sempre mais interessados no pensamento intuitivo e criativo, o sistema de ensino continua arraigado às estruturas típicas do hemisfério esquerdo. O ensino é sequencial: os alunos são promovidos de um primeiro até último ano de cada ciclo numa sequência escalonada. As principais matérias são verbais e numéricas: ler, escrever e contar. As aulas têm seus horários. Os alunos são colocados em carteiras organizadas em filas, subordinadas hierarquicamente à supremacia da mesa do mestre, e em todas as questões, as respostas são classificações estereotipadas. Os professores dão notas, e cada um cumpre subordinadamente o seu papel.
Mas todos sentem que alguma coisa está faltando…
Embora todo o interesse no pensamento intuitivo e criativo faça parte do interesse dos educadores, o sistema educacional continua estruturado em torno da  modalidade típica do hemisfério esquerdo. Há uma tendência tão grande em se premiar o hemisfério esquerdo, que desperdiçamos um potencial enorme dos cérebros das crianças. O futuro artista, o artífice e o sonhador sentem-se perdidos neste sistema educacional, e pouco aprende.
O hemisfério direito, poético, sonhador e artista, pouco aprende relegado ao desprestígio. Encontra enxertos disciplinares em matérias como a música, o desenho, a “redação criativa”. Pois acreditam os educadores que imaginação, percepção e intuição, e criatividade se desenvolvem como consequência natural do ensino das matérias verbais e analíticas.
"Os seres vivos, mesmo os mais primitivos, do ponto de vista evolutivo, têm capacidade de armazenar e processar informações originárias tanto do meio ambiente quanto do meio interno. Informações como variação de temperatura, pressão, luminosidade, concentração de substâncias químicas, etc. Desse modo, procuram fontes luminosas, afastam-se de substâncias tóxicas, e de outros modos desempenham a função de processar informações. Nos organismos mais evoluídos, essa função, que está na base do que se chama inteligência, é desempenhada principalmente pelo sistema nervoso central e suas "antenas", são  os órgãos dos sentidos. No entanto, é preciso não esquecer que,  ao longo do processo evolutivo, os seres mais desenvolvidos conservam algumas características dos que os precederam. Assim, se tivesse que desempenhar  todas as funções que requerem "inteligência", o sistema nervoso central necessitaria muito mais do que as dezenas de bilhões de células especializadas, os neurônios, que os constituem. Sabe-se hoje, que muitas atividades "inteligentes" dos seres vivos são desempenhadas ao nível das moléculas que compõem suas  células. A descoberta de que isso ocorre representa uma importante contribuição para a compreensão da atividade de processamento de dados intrínseca às manifestações de inteligência."1
Os neurônios são células que contém em geral dez trilhões de moléculas, sendo que três quartos delas são água. Cêrca de um bilhão de moléculas de cada neurônio são macromoléculas, e dentre elas estão as macromoléculas das proteínas, dos ácidos nucléicos, os polissacarídeos, etc. Dentre as macromoléculas, estão as moléculas inteligentes que são algumas proteínas organizadas em sequências estruturais, os aminoácidos, formando os polímeros; e ácidos nucléicos ADN e ARN, que contém a memória genética. O ordenamento espontâneo das cadeias polipeptídicas de uma proteína pode ser encarado como manifestação primitiva de memória e portanto de "inteligência", não sendo porém a única demonstração de inteligência que as proteínas apresentam.
Nossa civilização vem mudando rapidamente e é muito difícil prever quais aptidões as gerações futuras precisarão desenvolver. Embora até agora tenhamos dependido do hemisfério cerebral esquerdo, o impacto social que a tecnologia já causou no ambiente, nos remete à questionar nossos defasados métodos educacionais fundados no Positivismo de August Comte. Nossa postura epistemológica, remanescente das ciências normatizadas e compartimentalizadas por Comte, impede-nos de uma nova visão ideológica da transdisciplinaridade do conhecimento científico, nos afasta do conjunto holístico da Ciência, e nos mantém atrelados à contraposição da teoria com a prática. Assim, cristalizamos a educação no repasse do conhecimento sedimentado e morto de currículos anacrônicos; preserva o professor na cátedra como o emanador do conhecimento e de toda a informação científica, e o aluno na categoria de mero e humilde aprendiz.
Precisamos nos descartar de nossa ideologia pedagógica anacrônica, e assumir que a nova epísteme das ciências, traz embutido em si seu novo método cognitivo de produção de linguagem e construção de conhecimento, através do processo de ensino centrado no aprendizado, envolvendo professor e aluno. Em que o objetivo último do aprendizado seja criar soluções, e não lidar com problemas.2  É fundamental modificar nossa cultura pedagógica, sem abrir mão do conhecimento técnico que o professor deve possuir como facilitador do aprendizado. Isso acarreta uma revolução cultural com reflexos imediatos e futuros em toda a tessitura social: mudam de postura o professor e o aluno, reestruturam-se as instituições do ensino, e transforma-se a sociedade.
Como se processa o conhecimento?
Sem abandonar o ensino das competências verbais e lógicas, precisamos desenvolver técnicas de ensino que estimulem os poderes intuitivos e criativos das crianças, preparando esta geração para enfrentar os novos desafios com imaginação, inventividade, e flexibilidade. Precisamos desenvolver a percepção dinâmica para melhor elaborar complexos conjuntos de idéias e de fatos correlatos. As configurações básicas de eventos assumem então, conotações novas, ao se desenvolver a capacidade de ver velhos problemas de uma nova forma.
Um jovem que funcione somente intelectualmente na sala de aula, sem que seu corpo físico, emocional e espiritual participem concomitantemente, se não oferecermos a esse jovem um ambiente que permita uma interação total, sua energia se esgota no imenso esforço de manter toda ela numa via única. E ele perde a vitalidade e dissipa a criatividade.
Mas o que é criatividade? 
Criatividade é tratar de uma forma nova e adequada um problema persistente. É considerar novos fatores, de forma não prevista como ítens intervenientes na solução. É encontrar nichos de linguagem não regulamentados ou classificados ordinariamente.
Um dos momentos decisivos da pintura ocidental, foi a descoberta por Giotto, da terceira dimensão, fato pictórico que introduzia séculos antes da dialética de Hegel, a lógica do terceiro polo, na mente ocidental.
Quebrar o molde costumeiro de pensamento e estender as possibilidades da percepção em remanejo das conexões estabelecidas faz emergir um acréscimo de conhecimento. Relacionar fatos alheios entre si, trazendo o novo e o adequado a uma dada situação é criatividade. O pensamento criador é inovador, exploratório, aventureiro. Impaciente ante a convenção, e é atraído pelo desconhecido e o indeterminado. O risco e a incerteza são estímulos ao pensamento criativo. Porém, diante de uma obra revolucionária, só podemos expressar agrado ou desagrado, pois é impossível avaliar uma obra inovadora por padrões anteriores, o que não é outra coisa senão julgar um sistema de valores por outro.
O pensamento verbal, não criativo, é porém, cauteloso, metódico, conservador. Absorve o novo no já conhecido e prefere dilatar as categorias existentes a inventar novas. Nas lides com a lógica, todo o universo do conhecimento já foi analisado, categorizado, classificado, hierarquizado,  arquivado e creditado. O pensamento verbal não assume os riscos da dúvida: lida com as certezas. Não lida com a dúvida, só trabalha em cima de dogmas.
O pensamento criativo prefere o risco. A desautomatização do hábito é a premissa, a condição primordial que faz emergir a criação.
Ver o que diante dos nossos olhos se apresenta nos conduz à extrema criatividade. A arte de ver coisas que sempre estiveram ali, nos permite representar sem estereótipos da cultura e do inconsciente coletivo. O olho, como instrumento de leitura é o foco biônico que focaliza, seleciona e privilegia certos pontos.
O caos não supõe crenças, subordinação a nada,  experiência precedente, nem compromissos com o acerto. Com isso praticamente descrevemos o universo da Arte e o universo da Ciência viva. Podemos dizer que a inteligência se confunde com a Ciência; e a criatividade com a Arte. Também é certo que a boa Ciência incorpora o caos através da criação, quando avança na vanguarda do conhecimento, em delirante ginga  com a lógica. E muito da Arte tecnológica se processa sobre conceitos científicos como sua premissa de linguagem.
Por sua vez, criatividade é processar e relacionar de novas formas as informações de que já se dispõe. O ser criativo percebe intuitivamente as possibilidades de transformar dados comuns em uma nova criação, que transcende a própria matéria prima. Pois coletar dados e transformá-los criativamente são dois processos diferentes. Por isso, conhecer as funções cerebrais e elaborar uma teoria da percepção são dois passos fundamentais para se desenvolver novas técnicas de ensino, aptas na tarefa de liberar a criatividade e a originalidade de cada indivíduo.A criatividade só existe para aquele que lida com o caos.
Incorporar ao sistema educacional a tecnologia da cognição como estrutura do próprio sistema, é o único meio de desenvolver o potencial da consciência nos jovens. Abranger aqui apenas alunos e crianças pequenas é insuficiente para uma possibilidade tão abrangente. Tudo pode ser aplicado a qualquer indivíduo que deseje liberar sua criatividade.
Aquietar a mente em níveis mais baixos das frequências cerebrais, reduzindo a atividade mental, leva aos estados fundamentais da consciência, ampliando-a a estados de percepção ilimitada, ao eliminar as operações do pensamento racional. Os padrões de ordem da natureza estão gravados no microcosmo que o nosso corpo abriga. E as leis que guiam a evolução da espécie se revelam ao indivíduo que a elas dão acesso através da introspecção.
Criatividade é reagir de uma maneira nova e adequada a uma dada situação. A criatividade é vital, porque constatamos através da história da humanidade, que sobrevive não o mais forte, não o mais perfeito, não o maior, ou o mais bonito: sobrevive aquele que reage de maneira nova e adequada às mudanças do ambiente.
A criatividade exige em primeiro lugar a exclusão das crenças, depois, observação acurada do real, depois questionamento do que está estabelecido e por fim, estabelecimento de novas relações entre os elementos.

Cynthia Esquivel

segunda-feira, 12 de julho de 2010

PROJETO DE EDUCAÇÃO HOLÍSTICA INTEGRAL



Projeto de Educação Holística Integral

UMA ALIANÇA DE FORÇAS PARA
CONSTRUIR A CIVILIZAÇÃO DO III MILÊNIO

ESCOLA ABERTA HABITATBRASIL.ORG


Promovendo
Educação, Capacitação Pessoal, Justiça Social e
Desenvolvimento Sustentável.



A EDUCAÇÃO ABERTA EM PERSPECTIVA HOLÍSTICA


1. Quem Somos

Somos uma organização de 44 profissionais associados fundadores com uma visão e uma atuação de vanguarda que busca educar as populações sob intervenção promovendo a capacitação pessoal, a justiça social e o desenvolvimento sustentável. Cidadãos de diversas origens que compartilham um interesse comum para com o futuro da humanidade e de toda a vida na Terra.

Acreditamos que os sérios problemas que afetam as instituições sociais da vida moderna e causam a grave crise em nossa cultura e civilização refletem a falta de habilidade predominante no mundo tecnoindustrial em fazer frente ao desafio planetário de suportar uma população crescente devastadora para além de 6.5 bilhões de pessoas famintas de alimento e consumo sobre ele.

Essa devastação predatória é finita e tem prazo marcado para acabar, pondo em risco toda a civilização humana sobre a face da Terra.


2. Nossa Intervenção é Holística e Sistêmica

Holismo é um novo paradigma emergente com base em uma rica herança de muitos campos acadêmicos na pesquisa teórica e prática. O Holismo afirma a interdependência inerente da evolução dos seres como malha de conexão entre todos. O Holismo está enraizado na suposição de que o universo é um todo integrado no qual tudo está ligado. Este pressuposto de unidade e plenitude está em direta oposição ao paradigma da separação e fragmentação que prevalece no mundo contemporâneo.

Através da visão holística pretendemos corrigir o desequilíbrio reducionista das abordagens ambientais e humanas através de sua ênfase em uma concepção ampliada das ciências humanas e de suas possibilidades. O Holismo resulta em significativas implicações para a nutrição espiritual humana e evolução da ecologia planetária.

A ordenação da evolução humana poderá resultar da estruturação da biosfera através de níveis crescentes de informação e comunicação entre os sistemas de um mesmo patamar evolutivo para uma absorção maior da informação em patamares superiores gerando supersistemas em níveis diversificados de complexidade.

A civilização humana enquanto sistema vivo se auto organiza e auto regula em função do ruído e desordens informacionais, à medida que outorga um valor neguentrópico à desordem.

Enquanto que sistemas fechados como o comunismo tendem à entropia, a desordem passa a ser o o próprio fator de evolução dos sistemas vivos, pois só na desordem se recria nova ordem.

3. Somos Facilitadores da Aprendizagem da Ética e da Cidadania

A vocação é um chamamento, exigindo uma combinação de atividade cerebral intensa em algumas áreas do cérebro, sensibilidade pessoal e técnicas fundamentadas na prática a partir da ética, do emocional e do espiritual, para desabrochar. É uma questão prioritária envolvida no processo de crescimento humano.

Nós somos educadores que como facilitadores de aprendizagem, promovemos um modo de auto-suficiência natural como um processo vital e biológico. Atuamos com autonomia para conceber e implementar ambientes de aprendizagem que sejam adequados às necessidades de nossos cidadãos, abordando cada um em particular.

Embora o sistema econômico exija certo nível de qualificações para o trabalho, queremos alavancar a estruturação de seres humanos saudáveis, felizes e capacitados a fim de promovermos uma sociedade embasada em uma economia sustentável.

Cada indivíduo é único, tanto física como emocional, intelectual e espiritualmente; inerentemente criativo, tem necessidades e talentos únicos e possui uma capacidade ilimitada de aprender. Conduzimos a educação para que cada cidadão - jovem ou idoso - seja reconhecido como ser único e valioso. Isto significa um acolhimento que promove diferenças pessoais em cada um, e um sentimento de respeito e apreço pela riqueza da diversidade humana.

Reconhecemos que os valores humanos foram erodidos pela cultura da civilização humana, e que a harmonia, a paz, a cooperação, a honestidade, justiça, igualdade, compaixão, compreensão, amor e êxtase possam ainda ser resgatados nas comunidades, como base da Civilização do III Milênio.


4. Educamos o Indivíduo para o Desenvolvimento Humano

Nesse contexto de cultura em crise, de educação anacrônica e disfuncional, chama-nos a atenção a grandeza que está dentro de cada ser. O ser humano é mais complexo, mais inteiro, que os papéis que desempenha como trabalhador ou cidadão que servem à sociedade. 

Se uma nação - por meio de suas políticas públicas, não promove o bem-estar de seus cidadãos para alimentar o autoconhecimento, a saúde emocional, e os valores democráticos, o sucesso econômico será prejudicado pelo colapso moral da sociedade difícil de administrar.

Acreditamos que assumir novos valores culturais tornando-os dominantes em suas práticas, incluindo a ênfase na cooperação em vez da concorrência, o uso sustentável dos recursos em vez do consumo desenfreado, a autenticidade do encontro na interação humana em vez da burocracia, será absolutamente construtivo para a saúde dos ecossistemas sociais e ambientais, otimizando o desenvolvimento humano.

Os sistemas escolares foram organizados para aumentar a produtividade das nações, inculcando hábitos de obediência, lealdade e disciplina. É a preocupação com a produtividade e a competitividade da economia nacional, que pretende aproveitar as capacidades e os sonhos das tenras gerações para o objetivo estreito do seu desenvolvimento econômico a qualquer preço, sem considerar o indivíduo.

Colocamo-nos com objetivos que oferecem uma solução para a crueldade fragmentadora da crise na educação moderna, com a finalidade de nutrir as possibilidades inerentes de desenvolvimento do ser humano. Nós valorizamos a diversidade e incentivamos uma ampla variedade de métodos e aplicações práticas como uma visão que transcende a todas as diferenças. É um aprender de diferentes maneiras, através de diferentes estratégias a começar pelas atividades. A aprendizagem deve envolver o aprofundamento das relações e o enriquecimento entre si, agregando a família, os membros da comunidade, as nações, o planeta e o cosmos.

Acreditamos que o desenvolvimento humano deva ser atendido antes de qualquer outro como o interesse econômico.


5. Nós Educamos Respeitando o Indivíduo

O trabalho dos neurocientistas contemporâneos realizado através do conhecimento das múltiplas inteligências e das competências dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo demonstra, por exemplo, que a cinestesia corporal, musical, visual ou espacial pode ser aproveitada para compensar um vácuo de deficiência do hemisfério esquerdo como a lingüística, a lógica ou a matemática. Se isso não foi atingido na tenra infância, deve ser logrado através de técnicas alternativas suplementares.

Respeitar a individualidade de cada pessoa – significa que cada um cumpre um papel complementar no grupo e que podemos construir uma verdadeira comunidade, onde o aprendizado se faz com as pessoas aprendendo umas com as outras nas diferenças: são ensinados a valorizar seus próprios talentos, estando habilitadas a ajudar uns aos outros.

A educação é uma questão de experiência e a aprendizagem é um ativo, um compromisso multisensorial entre um indivíduo e o mundo, um contacto mútuo que habilita o aprendiz e revela os ricos e complexos significados do mundo. A experiência é a dinâmica que formata a mente potencializa a educação multisensorial. O objetivo da educação deve ser alimentar o natural e saudável crescimento através da experiência nas múltiplas linguagens sensoriais que dão acesso aos diversos códigos culturais de nossa civilização.

Quando os educadores estão abertos ao seu próprio ser interior convidam para uma co-aprendizagem, um processo de co-criação com o aluno. Neste processo o aluno é professor. O ensino exige uma requintada sensibilidade para os desafios do desenvolvimento humano, e não um kit de métodos e materiais pré-embalados.

Os educadores devem estar conscientes e atentos às necessidades de cada aluno, suas diferenças e habilidades e ser capaz de responder a essas necessidades, em todos os níveis. Os educadores devem sempre considerar cada indivíduo no contexto da família, da escola, da comunidade, da nação, da comunidade mundial, da civilização humana e do cosmos. O educador é responsável, sobretudo, pelos jovens que procuram uma compreensão do significado do mundo que algum dia eles vão herdar. Esse educador educa líderes e forma superdotados.

Nosso sistema de ensino aberto busca oferecer o verdadeiro encontro humano onde a escola transcende seu edifício e a aprendizagem se dá em casa, nos parques, jardins, no local de trabalho, etc.

A integração do processo educativo deve fornecer ao cidadão as maravilhas do universo à nossa volta através de abordagens experienciais imergindo o ser na vida e na natureza e na apropriação das instituições sociais e políticas necessárias para alcançar a autonomia cultural e econômica. A educação deve conectar o cidadão ao perfeito funcionamento do mundo social através da vida cotidiana, para a formação da identidade cultural e da produção econômica da comunidade.

São os aspectos do desenvolvimento humano que precisam de orientação e nutrição, que incluem o desenvolvimento ético, crítico, estético, criativo, físico e social, no sentido mais abrangente dos aspectos raciais, espirituais, etc..

Por sua vez, a Educação Holística leva em conta o maravilhoso mistério da vida e do universo para além da realidade imediata e da experiência humana.


6. Educamos com Espiritualidade

Nós acreditamos que toda a vida sobre a Terra são seres espirituais em forma humana, animal, vegetal e mineral e expressam sua individualidade através dos seus talentos, percepção, intuição, habilidades, informação e inteligência que carregam. 

Esses indivíduos se desenvolvem fisicamente, emocionalmente, intelectualmente e espiritualmente. Até os animais, as plantas e as rochas sofrem esse processo no registro de informação que carregam.

A experiência espiritual e seu desenvolvimento se manifestam como uma profunda conexão entre si mesmo e os outros, com um sentimento intenso de significado e propósito na vida cotidiana; e se expressa em uma sensação de extase e plenitude por existir, em uma correlação com tudo e todos a sua volta em uma verdadeira compreensão de interdependência.

A parte mais valiosa da pessoa é o seu interior, sua subjetividade e a determinação de sua alma. A ausência da dimensão espiritual é um fator crucial no comportamento autodestrutivo. A desagregação familiar, a criminalidade, drogas, o abuso de álcool, a sexualidadeesvaziada, o consumismo compulsivo, a ganância pela acumulação são as causas da insensata busca de conexão, sentido e significado, e a fuga desvairada da dor de não ter uma verdadeira fonte de realização. Fundamental para a consciência de inteireza e de conexão é a ética expressa em todas as grandes tradições do mundo: "O que eu faço aos outros eu faço para mim."

Acreditamos que a educação deve nutrir o crescimento saudável da vida espiritual, e não fazê-la através da competição e da violência da avaliação constante para induzir à concorrência. Uma das funções da educação é o de ajudar os indivíduos tornarem-se conscientes da conexão entre todos os seres vivos.

Dentro da atividade frenética do cotidiano, onde a pressão e super estimulação da vida contemporânea nos arrebatam, a plenitude da experiência criativa é um profundo respeito pelo numinoso mistério da vida.

Ao promover um profundo sentimento de conexão com os outros e com a Mãe Terra em todas as suas dimensões, a educação holística encoraja um sentimento de responsabilidade para si, para com os outros e para com o planeta. Acreditamos que essa responsabilidade não é um fardo, mas decorre da compreensão do poder pessoal de cada um e do sentimento de conexão com todos. 

Individual ou coletivamente, a responsabilidade global é desenvolvida através do incentivo à compaixão que é colocar-se no lugar do outro, o que provoca nas pessoas o querer aliviar o sofrimento dos outros. Queremos incutir a convicção de que essa mudança é possível e oferecer as ferramentas para tornar essas alterações possíveis.


7. Respeitamos a Liberdade de Escolha

A genuína educação só tem lugar em uma atmosfera de liberdade. A liberdade de indagação, de expressão e de crescimento pessoal são fundamentalmente necessários. Os aprendizes devem ter uma voz importante na determinação do currículo e dos processos disciplinares, de acordo com a sua capacidade para assumir essa responsabilidade. O conhecimento deve ser apresentado como um buffet de alternativas conforme o pendor dos talentos individuais.

Reconhecemos no entanto, que algumas abordagens pedagógicas permanecerão largamente guiadas devido a convicções filosóficas ou porque servem a populações especiais. Importante é que as famílias e as crianças precisam ser livres para escolher tais abordagens. 

As famílias deveriam ter acesso a uma variada gama de opções educativas no sistema escolar público. Como isso não acontece, queremos oferecer a nossa alternativa diversificada e integralizadora, porém não homogeinizadora. A interferência pasteurizada do Estado na educação manieta a diversidade cultural, nutrindo pobremente nossas crianças.


8. Educamos para uma Democracia Participativa

Nosso modelo democrático de educação é para capacitar os cidadãos a participar de todas as formas significativas da vida na comunidade e da responsabilidade pelo planeta. A construção de uma sociedade verdadeiramente democrática significa muito mais do que permitir as pessoas votarem a favor de seus líderes. Significa habilitar os indivíduos a tomar para si a participação ativa nos assuntos da sua comunidade, tormando-se líderes, talvez. 

Uma sociedade verdadeiramente democrática é representada por comunidades em que díspares vozes sejam ouvidas e genuínas preocupações humanas sejam abordadas. É uma sociedade aberta à mudança construtiva quando uma mudança social ou cultural é necessária. 

A fim de se manter essa sociedade, as comunidades devem ser baseadas em um espírito de empatia por parte dos seus cidadãos - uma vontade de compreender e experienciar a compaixão para com as necessidades dos outros. Deve haver um reconhecimento das necessidades humanas que ligam as pessoas em bairros, cidades, nações e comunidade planetária. 

E para além deste reconhecimento, deve existir uma preocupação de justiça social.

A fim de garantir estes elevados ideais, os cidadãos devem ter a possibilidade de pensamento crítico e independente. A verdadeira democracia depende de uma população capaz de discernir a verdade por trás da propaganda e os interesses comuns atrás de slogans partidários. Em uma época em que a propaganda é conduzida por bytes de informação, e a tecnologia permite o repasse de informações subliminares e enganosas através da maedia, a política e as relações públicas devem ser alvo permanente do inquérito crítico, mais vital do que nunca para a sobrevivência da democracia. 

Entretanto, o ensino e a aprendizagem, não podem promover esses valores, salvo se consubstanciá-los em programas e disciplinas. Estas são as tarefas educativas a que nos propomos.


9. Educamos para uma Cidadania Global

Acreditamos que cada um de nós - percebamos isso ou não - é um cidadão global representante em sua condição local da civilização humana. A experiência humana é muito mais ampla do que uma única cultura de valores, ou formas de pensar. Na emergente comunidade global, estamos em contacto com diversas culturas e visões do mundo como nunca antes na história.

Pensamos que é tempo da educação cultivar uma apreciação pela magnífica diversidade da experiência humana, e para o ainda inexplorado potencial dentro de cada ser humano. Educação, em uma era global precisa abordar o que é mais universalmente humano nas gerações mais jovens de todas as culturas.

A educação global é baseada em uma abordagem sistêmica, ecológica, integralizadora, que enfatiza a ligação e interdependência da natureza, da vida humana e da cultura. Ensino global facilita a tomada de consciência do indivíduo em um papel atuante na ecologia global, que inclui a família humana e todos os outros sistemas da Terra e do Universo.

A meta da educação global é a metaeducação, isto é, educar a educação para abrir as mentes e os corações. Isto é realizado através de estudos interdisciplinares, experiências diretas e conexões afetivas que promovam a compreensão, reflexão, pensamento crítico-criativo e de resposta.

A educação global nos lembra que toda educação e toda a atividade humana deve repousar em princípios que regem o êxito sobre sistemas ecológicos. Estes princípios incluem a importância da diversidade, o valor da cooperação e do equilíbrio, as necessidades e os direitos dos participantes, bem como a necessidade de sustentabilidade no âmbito dos sistemas.

Outros componentes importantes da educação global incluem compreensão das causas de conflito e a vivência dos métodos de resolução de conflitos. Ao mesmo tempo em que se exploram as questões sociais como os direitos humanos, as pressões sobre as populações, em que a justiça econômica e o desenvolvimento dela é essencial para uma exata compreensão das causas da guerra e das condições para a paz.

Enquanto o mundo das religiões e tradições espirituais sectárias tem esse enorme impacto fragmentador, a educação global incentiva a compreensão e apreciação dos mesmos valores universais que proclamam a busca de sentido, amor, compaixão, sabedoria, verdade e harmonia. Assim, a educação global é um dos endereços do que é mais pleno e universalmente humano.


10. Educamos para Alfabetizar a Terra

A Semiótica, a Teoria da Informação, a Teoria dos Sistemas, a Cibernética, as Teorias do Campo Unificado, as Neurociências além de outros mais recentes avanços no pensamento ocidental moderno reconhecem algumas das mais antigas tradições espirituais e mitologias orientais que têm ensinado a humanidade durante milênios. Todos devem reconhecer a necessidade imperativa de cooperação global e da sensibilidade ecológica se a humanidade quiser sobreviver neste planeta a todas as crises que vem promovendo.

Central para este estudo é o conhecimento básico dos sistemas de apoio à vida, dos fluxos de energia, seus ciclos, suas interrelações e as dinâmicas das mudanças. A educação para a cidadania global é uma visão integradora, incluindo política, economia, cultura, história, e dos processos de mudança de comportamento pessoal e social.

Nossas crianças necessitam um planeta saudável para viver onde possam aprender e crescer. Eles precisam de água e sol, ar puro, e os frutos do solo, dos animais e de todas as outras formas que compõem o ecossistema da vida na Terra. Um planeta doente não suporta crianças saudáveis. E doente está toda a nossa civilização decadente.

Apelamos então, para uma educação integral, que promova a alfabetização global da Terra a fim de incluir uma consciência planetária de interdependência, pela integridade pessoal e sua inserção na congruência do bem-estar global, em que o papel do indivíduo alcance a perspectiva de sua responsabilidade nesse conjunto.

Muitas outras civilizações humanas irromperam, floresceram e tiveram desaparecimento abrupto e definitivo ao longo da história do planeta. De alguma forma tornaram-se insustentáveis. O ser humano sobreviveu, mas não a civilização onde esteve inserido. 

Os Atlantes, os Maias, os Incas, os Egípcios, e a própria Roma são exemplos cabais de que o grau de progresso material defasado da evolução do espírito que se sobreponha à ganância e belicosidade pôs fim a todas essas culturas e civilizações e porá mais uma vez. 

Os mil anos da Idade Média foi a derrocada da civilização romana, a retomada do ponto zero como nova oportunidade para se reconstruir uma nova civilização ocidental, retomada com o fulgor da Renascença. Tentamos. Mas estamos novamente na iminência de um novo retrocesso a uma nova idade média. Mais definitiva e fatal.

A Educação precisa servir de resgate ao ser enraizada em uma perspectiva global e ecológica, a fim de cultivar nas novas gerações uma apreciação profunda pela interconexão de toda a vida. Educar para se viver na Terra nos tempos que virão, implica uma avaliação global do nosso planeta e dos seus processos que sustentam toda a vida na Terra. Esse é o resgate.

Acreditamos que a educação deve primeira e organicamente partir de uma profunda reverência pela vida em todas as suas manifestações. O planeta, e toda a vida sobre ele, formam um todo interdependente. Queremos reavivar uma relação de amor entre o homem e o planeta, o mundo natural que o está alimentando, substituindo sua ganância de exploração predatória pela compreensão e reverência. 

O planeta Terra é ser um imensamente complexo e fundamentalmente único. Viver em seu sistema, que é um oásis de vida na escuridão do espaço cósmico, é o maior privilégio do qual podemos dispor.

Este é o cerne da nossa visão para a Educação no século XXI.


Cynthia Esquivel